Interviews with the artists: Paula Prates

ENTREVISTA A PAULA PRATES, POR CLÁUDIA CAMACHO

Cláudia: Se tivesse apenas 3 linhas para definir o seu “statement” como artista o que escreveria?

Paula: Crio mundos e lugares de uma tridimensionalidade imaginária em que o conceito de Ruína e de Tempo estão presentes, onde a tensão entre a ordem e o caos leva o espectador para fora do nosso espaço e do nosso tempo.

Cláudia: Como artista, revê-se nos textos que os críticos e os curadores escrevem aquando das suas exposições?

Paula: Sim, quase sempre… E os textos dos meus catálogos fornecem-me ferramentas para continuar o meu trabalho, dão-me outras pistas, outras direcções.

 

Cláudia: Há séculos que se apregoa a morte da pintura mas ela tem resistido de forma inteligente. Através do seu percurso pictórico, acha que tem ajudado a ressuscitar esta discussão?

Paula: Acredito que sim. Esta é a primeira exposição que mostro unicamente fotografia. Na exposição “Ensaio sobre a Ruína – Parte 2” de 2011, trabalhei com vários meios (fotografia, desenho, aguarela, objectos) mas de facto, tenho usado primordialmente materiais pictóricos. Trabalhei durante algum tempo com um material que não é muito nobre, o lápis de cera, mas de uma forma que o público achava sempre que era tinta (guache ou acrílico). Em termos do conceito do meu trabalho, penso que introduzo uma leitura nova do que nos rodeia, que cria muita estranheza, não é um trabalho de modas ou de correntes….

Cláudia: Quando cria, tem alguma preocupação com o entendimento do público sobre a sua obra?

Paula: De certa maneira sim, mas gosto de deixar em aberto alguma questão para o ponto de vista do observador intervir, que poderá ou não ser influenciado por aquilo que vê. Talvez seja por isso que o meu trabalho tem um carácter muito abstracto ou um resultado abstracto, digamos. Digo resultado, pois advém sempre de coisas reais, trabalho sempre a partir do real. Uma das tarefas da representação é mostrar-nos como o mundo é, mas a abstracção é livre de fazer algo diferente, reflectindo a nossa percepção do mundo.

Cláudia: Qual seria o seu espaço expositivo de sonho e porquê?

Paula: A Serpentine Gallery, no Hyde Park em Londres. É um espaço com várias salas, umas mais acolhedoras, outras com um pé direito fabuloso, permitindo mostrar trabalho em vários suportes e com várias abordagens, site-specific, criando núcleos expositivos. Mas, no entanto, não é excessivamente grande, é familiar. Quando visitava Londres, ficava num hostel mesmo junto ao Hyde Park, em Queensway, e ia muitas vezes ver as exposições na Serpentine. Em 2002/03 vivi 1 ano em Londres, estive a fazer o Mestrado em Artes Visuais na Central Saint Martins. Morava relativamente perto, em Sheperds Bush, apanhava o autocarro que faz basicamente a linha vermelha (a central line) que passa pelo Hyde Park para ir para a escola (que nessa altura era no Centro, na Charing Cross Road), e muitas vezes saía e dava um “salto” à Serpentine. Foi um ano muito importante para mim, que me transformou pessoal e artísticamente.